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- Inverno

Não quero ser apenas mais um indiferente na terra, quero sair do volume e aprazer o que convém a mim e a muitos. Não quero ser mais um sonhador que não conseguiu realizar se quer um terço dos seus sonhos. Quero realiza-los todos conforme as minhas vontades e com eficiência. Isso é mais um sonho. Quero despertar o mais intenso do amor e viver este. Mas, isso não é um sonho. É só querer e saber que posso. Mas que preguiça, de colocar a melhor roupa, o melhor perfume e o melhor olhar e sorriso e sair pra buscar o meu amor. As vezes, por alguns momentos, me sinto só, mas tem alguém perto e quando não me sinto assim, quando me sinto confiante e seguro, é quando realmente estou só. Como se as pessoas precisassem ficar do lado de quem realmente necessita de alguém.
Quando tinha céu azul, eu ficava tentando interpretar os formatos das nuvens. Apreciando. Meu sol era de um amarelo alaranjado, único, não quente ao ponto de arder. E olhando pro meu céu hoje, via respingos cair no olho. Soltei um riso carregado de dor. A despedida fora fatal. Abracei, depois larguei e encarei no olho. ‘’Tchau!’’, eu disse. E andando na neblina, olhei para trás e acenei dando um leve e negro ‘’tchau’’. Preciso ir! E meio sem rumo, procurava as palavras, até achava, mas, engolia a seco. E úmido, me abriguei numa garagem, a chuva era forte e tinha vento também. Dane-se. Saí na chuva mesmo. Agora ensopado, senti um frio na barriga seguido de ânsia. Sentei numa calçada e fixei o olhar numa poça de água por pelo menos dois minutos, sem conseguir pensar em nada, fiquei. Ah, quanto tempo não tomo banho de chuva? Muito. Mas, não vejo um sol há bem mais tempo. Até gosto desse frio corrosivo. O sol nunca me fizera falta. Do que tenho falta, dispensei por descuido. Não me arrependo, aliás, tento não me arrepender e chuto esse chato do arrependimento. É a pior coisa que alguém pode sentir. O arrependimento. Hora de se secar? Pra quê? Já chove de novo e eu continuo andando. E essa chuva impetuosa, que teima em inundar tudo. Queria usar do otimismo pra me sentir bem e me consolar, mas é ilusão, o otimismo. E atrás de mim reflete os raios mais violetas que alguém já viu, rasgando o céu e brilhando nos olhos apagados. Olhos que um dia já sorriram com mais alegria. E a pele áspera de arrepios frígidos implora calor. Agora em casa, não quero nem pensar no resfriado. O pior ainda estar por vir. Obrigado, Senhor, por me fazer sentir que nem tudo é tão ruim que não dê pra piorar e o que é bom, melhorar. 

1 dizeres:

Tamires Ferreira. disse...

Ahhh ele voltou'yessss!Adoro ler você,sempre me surpreendo com sua maneira tão íntima de sentir e se expressar.Talvez seja uma boa hora para dizer o quanto sou grata a Deus por nossa amizade.Pelas longas conversas de tempos em tempos,e essa nova maneira de ter-te,em poesia.E me deliciar com cada palavra,com essa forma singular de impor o que te apraz e isso me alegra em demasia.Pelo menos nisso acrescentei,dando a você o blogger para ser uma nova afeição,um novo espaço para sonhar e expor o que bate aí dentro.Tenho tanto para falar deste texto lindo,mas prefiro falar quando a inspiração estiver mais doce em mim,porque hoje estou cinzenta e irritada.Eu coloco culpa nos hormônios,mas lá no fundo eu sei o que é esse desalento...falta de amor próprio.Um beijo em você meu lobo solitário.

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