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          Estou feliz porque mesmo sozinho percebi que minha diferença estava não na pessoa comum que sou, mas na minha varieabilidade de chorar e sorrir para as coisas. Era ela quem me despertava do sono nos fins de tardes, porque me incomodava a minha carne o ser do meu interior e foram raras as vezes que me fora indiferente toda a sua presença, assim como também foi raro não a sentir. Sou feliz porque mesmo minha auto-suficiência despedaçada não precisei dela pra sentir-me melhor. Sou feliz, pois por um instante vi que era desnecessário ser igual a todo mundo pra ser feliz, que mesmo eu tolerando os meus próprios defeitos poderia ser bem mais feliz do que as milhões de cópias de pessoas. Felicidade é perceber que você não precisa de muitos pra sorrir, você precisa apenas de bons amigos, de bons momentos e bons amores. Quanto aos males, cante! Eu sou feliz...

ESTÁ FALTANDO CORAGEM

Quando essa vida passar, quero ouvir o sussurro das almas
Presas num quarto escuro.
Quero desejar a vida que tenho hoje,
Destruir os papéis de paredes que me distrai,
Deitar-me e ver o restante da paisagem que dá pra ver da janela.
Olhar pro chão sem dó das pedras e dos meus calos
Quero sorrir das vidas que se pouparam demais,
Que pouparam as outras vidas.
Perceber tudo que poderia me arrepender
E sentir a dor tardia do que não fiz por medo.
Achar um lugar bonito pra eu me perder
Quero estar bem por estar perdido em lugares assim
Nada de carros, comercio, satélites, notícias, bombeiros
Quero não ter a opção de voltar
De tudo isso, espero uma coisa:
Não acordar. 
Preciso de companhia.Topa?

Meu Sorriso, Minha Essência


Um carro tímido ali e outro aqui que passam na avenida, algumas gaivotas no céu e um cajueiro acolhedor no outro lado da pista, um calor meio abafado me abatia e eu andando. Abro a janela do quarto e um vento leve e morno escapa para dentro enquanto me desfaço das roupas. E todos esses detalhes só percebi porque meus pés estavam descalços e me senti sensível até a temperatura do vento. Deitei-me e senti minhas pernas pesarem e o cansaço foi aos poucos abreviando-se e me encolhi na cama com um pedaço de pano. Abri uma pálpebra e olhei a brandura da colcha e sentir o cheiro de roupa lavada, viajei na infância e sorri por estar ali sentindo aquilo. Então dormi... Acordei nostálgico e com algumas perguntas que talvez o sono tivesse me elaborado. Por que não aproveitava pra escrever aquilo? Saberia que deveria agradecer à alguém por aquilo, foi significativo pra mim. Teve um valor. Precisava mesmo naquela ser abraçado por algo puro, um alguém, um sentimento ou uma vontade... E Deus sabe, das nossas necessidades e na melhor de satisfazê-las, porque apesar de distante eu estava sensível ao que viesse perto. E Ele preferiu me abraçar. Obrigado por me deixar feliz sem motivos.

Sem título...



Injustificável ver o que vejo, o que vejo não me cura e nem me sacia. O que me alivia é o sentir do pulsar das emoções, as boas sensações de preferência. Algumas pessoas retardam meus sentimentos, mas é no retardar que eles tornam-se cada vez mais sensível, mais incomum e talvez me torne mais humano com todas essas frescuras. O frieza me foi útil quando eu precisei ser e estar, mas nunca me acrescentou. Gerou ódio no meu coração e sem saber quem estava me tornando me olhei e percebi onde faltavam virgulas, troquei a interrogação pela exclamação e achava excitante ser atendido, ser coeso no meio deles. Tive amigos que levavam de mim apenas esse título, mas não me percebiam ou não me sentia propositalmente e por um bom tempo reprimi meus sentimentos verdadeiros, reais, sentimentos bons. Sabe, uma hora você senta e arqueja um  sopro quente de alívio, você cansa, sempre. Até mesmo do que é bom. E fui andando sem pensar na possibilidade de olhar pra trás. Fui expulso, esmagado, humilhado, exonerado da vida de pessoas e mais pessoas apenas porque me tornei no que menos queria. Mas isso faz tempo, muito tempo... É estranho perceber que as pessoas te querem apenas pra se sentir melhores, pra sorrir ou se divertir sem se preocupar se você pode ou não. Sem perceber que eu estaria precisando de ajuda. Até o palhaço mais alegre do circo pode chorar num dia de folga. Por que eu seria diferente se eu era tão comum? Emocionei-me outro dia no meio das minhas gavetas encontrei uma carta de alguém aparentemente especial pra mim que dizia:... 
''O AMO, MAS ME ESQUEÇA!''

E foi embora, mas não percebi a porta bater. E esqueci e esqueci...



O que será que será que andam suspirando pelas alcovas? 
Que andam sussurrando em versos e trovas? 
Que andam combinando no breu das tocas? 
Que anda nas cabeças? Anda nas bocas? 
Que andam acendendo velas nos becos? 
Estão falando alto pelos botecos,
e gritam nos mercados 
Que com certeza está na natureza 
Será, que será? 
O que não tem certeza e nem nunca terá! 
O que não tem concerto e nem nunca terá! 
O que não tem tamanho...

Chico Buarque 

Chás, incensos, musica e dois dedos de angústia sem gelo


Precisava de um irmão que me escutasse ou uma mãe. Um bom amigo me serviria, até mesmo um mau amigo, um colega... Alguém mesmo que fosse desconhecido e seria melhor até. Mas de tudo isso, lembrei que tenho esse lugar pra despejar meus medos e derrotas, apesar de pouco ser percebido, confesso. Acordei sem bocejar essa manhã, sem mau humor, sem sono, sem nada. O que me ocupou foi apenas uma roupa limpa e um par de sapatos pra ir trabalhar, mas não quero dizer que estou cansado, ou digo. Meu orgulho já nem é mais o mesmo, meu cheiro, meu gosto, meu jeito, meu olhar. Meu humor acabou virando uma constante e quem eu amo quero não amar mais. Não é o mesmo que acordar na madrugada e ter alguém que te faça esquecer dos pesadelos, mãe, pai, amor...

Rifa-se

 
''Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.'' (C'L)


Alguém se habilita?