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Instantâneamente



Felicidade tanto insistiu que se irou, e deixou de ser felicidade. Abracei-a e despedi-me sem me iludir com mais nada. Mas, me bastou chorar para nos trazer paz. Quando choro, minha alma padece, descansa e parece encantar, e o desespero me abraça e eu precisando de colo. Retribuo. Mas cansei de chorar para que as coisas pudessem se resolver com mais leveza absoluta. É como se fosse uma força que me repele pra longe, e me deixa sem leito e sem chão pra deitar. A voz era até conhecida, de longe a escutei, solidão gritava louca dizendo estar com saudades e sua voz era rouca. Segurou na minha mão e agora é minha companhia. No caminho ela me perguntara o que teria acontecido, disse que o fardo não era meu, era de quem quisesse e não o quis. Abraçou-me e disse, ‘’Ainda bem!’’. Chorei. Andamos pelas ruas de domingo conversando e chorando e consolando um ao outro. Domingo gritamos no meio da rua, é vazia, não tem quase ninguém, dá até pra deitar nos bancos. E o restinho do meu orgulho eu usei pra dizer a derradeira palavra, ’’ não’’. Engoli toda minha arrogância pra viver isso imaginando ser feliz, e fui deslizando até cair, até eu me perder, e desmaiar. Agora acordado e lúcido, me construo aos poucos.

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